5 pontos a saber sobre a síndrome das pernas inquietas

As explicações são do médico João Coimbra, Neurologista no Hospital CUF Infante Santo.

1. A síndrome das pernas inquietas (SPI) é um distúrbio do movimento frequente

Este distúrbio afecta 5 a 10% da população e é mais frequente em mulheres com mais de 35 anos. Caracteriza-se por uma necessidade irresistível e muitas vezes desconfortável, de mover as pernas (menos frequente os braços), quando em repouso. Acompanha-se por sintomas sensitivos estranhos, tais como, sensação de dormência ou formigueiro nas pernas, podendo ocorrer dores.

Estes sintomas são mais intensos no final do dia quando os pacientes estão inactivos, e têm intensidade máxima na hora de dormir. Para alívio destes sintomas, os doentes procuram movimentar os membros afectados estendendo-os ou caminhando, por exemplo. Isto impede um sono tranquilo, leva a despertares nocturnos frequentes e insónia, causando uma sonolência diurna e irritabilidade. É uma doença com impacto na qualidade de vida, dado que na maior parte das vezes trata-se de uma condição crónica.

2. As suas causas são desconhecidas

A etiologia dessa doença não está totalmente esclarecida, mas admitem-se como causas mais prováveis a deficiência de dopamina e uma desregulação de ferro no cérebro. 

Há 3 condições fortemente associadas a SPI: são a gravidez, deficiência em ferro e insuficiência renal em fase avançada. Há necessidade de excluir outras causas (edema das pernas, insuficiência venosa, cãibras, neuropatia, etc).

Tem forte componente hereditária (50% dos doentes têm, pelo menos, 1 familiar de primeiro grau afectado). 

3. O diagnóstico é clínico

O diagnóstico de SPI é clínico, não existindo um teste diagnóstico específico. Dentro das análises de rotina, deve-se pesquisar uma deficiência de ferro (nível de ferro e ferritina), função renal e função hepática. Os exames de imagem (TAC e ressonância) são normais e não está indicada a sua realização.